Jogos de 2026: quando a cidade vira tela e o corpo é o controle remoto

A group of people enjoying a film in a cinema with a large screen.

Os Jogos de 2026 não serão apenas um espetáculo midiático, mas a materialização de uma estética do controle que reconfigura cidades, corpos e narrativas como extensões de um algoritmo urbano. Este ensaio investiga como objetos cotidianos — pulseiras RFID, banners infláveis, fachadas projetadas — operam como gramáticas visuais de poder, transformando a experiência humana em performance gerenciada. A partir de referências em design, arquitetura, música e fotografia, analisamos como a estética do controle se apoia em técnicas ancestrais (da arquitetura grega ao teatro de massa) e tecnologias contemporâneas (projeções mapeadas, realidades híbridas) para criar uma linguagem de submissão e celebração simultâneas. O texto propõe uma leitura dos Jogos como land art efêmera, onde a cidade é o canvas, o espectador é o pincel, e os objetos simbólicos são as tintas de uma paleta controlada por soft power. Tudo isso enquanto questionamos: até que ponto a inovação tecnológica serve de véu para práticas arcaicas de disciplinamento territorial?